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AS GALÁXIAS NO UNIVERSO |
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Por volta do século XVIII
vários astrônomos já haviam observado, entre as estrelas, a presença de
corpos extensos e difusos, aos quais denominaram
"nebulosas". Hoje sabemos que diferentes tipos de objetos estavam agrupados
sob esse termo, a maioria pertencendo à nossa própria Galáxia, mas alguns
deles (as nebulosas espirais) eram galáxias individuais, como a nossa
Galáxia.
Até 1908, cerca de 15.000
nebulosas haviam sido catalogadas e descritas. Algumas haviam sido corretamente
identificadas como aglomerados estelares, e outras como nebulosas gasosas.
A maioria, porém, permanecia com natureza inexplicada. O problema maior
era que a distância a elas não era conhecida, portanto não era possível
saber se elas pertenciam à nossa Galáxia ou não.
Somente em 1923 Edwin
Powell Hubble proporcionou a evidência definitiva para considerar as
"nebulosas espirais" como galáxias independentes, ao identificar uma variável
Cefeida na "nebulosa" de Andrômeda (M31).
A
partir da relação conhecida entre período e luminosidade das Cefeidas em
geral, e do brilho aparente das Cefeidas de Andrômeda, Hubble pode calcular
a distância entre esta e a Galáxia, obtendo um
valor de 2 milhões de anos-luz. Isso situava Andrômeda bem além dos limites
da nossa Galáxia, que tem 100 mil anos-luz de diâmetro. Ficou assim provado
que Andrômeda era um sistema estelar independente.
Classificação morfológica
de galáxias
As galáxias diferem bastante
entre si, mas a grande maioria têm formas mais ou menos regulares quando
observadas em projeção contra o céu, e se enquadram em duas classes gerais:
espirais e elípticas. Algumas galáxias não têm forma definida, e são
chamadas irregulares.
Um dos primeiros e mais
simples esquemas de classificação de galáxias, que é usado até hoje, foi
inventado por Hubble nos anos 1920. O esquema de Hubble consiste de três
seqüências principais de classificação: elípticas, espirais e espirais
barradas. Nesse esquema, as galáxias irregulares formam uma quarta
classe de objetos.
Espirais
(S)
As galáxias espirais, quando
vistas de frente, apresentam uma clara estrutura espiral. M31 e a nossa
própria Galáxia são espirais típicas. Elas possuem um núcleo, um disco,
um halo, e braços espirais. As galáxias espirais apresentam diferenças
entre si principalmente quanto ao tamanho do núcleo e ao grau de desenvolvimento
dos braços espirais. Assim, elas são subdivididas nas categorias Sa,
Sb e Sc, de acordo com o grau de desenvolvimento e enrolamento
dos braços espirais e com o tamanho do núcleo comparado com o do disco.
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a |
núcleo maior, braços
pequenos e bem enrolados |
|
b |
núcleo e braços intermediários |
|
c |
núcleo menor, braços
grandes e mais abertos |
Elípticas
(E)
As galáxias elípticas apresentam
forma esférica ou elipsoidal, e não têm estrutura espiral. Têm pouco gás,
pouca poeira e poucas estrelas jovens. Elas se parecem ao núcleo e halo
das galáxias espirais.
As galáxias elípticas são
chamadas de En, onde n=10(a-b)/a, sendo a o semi-eixo
maior e b o semi-eixo menor. Hubble subdividiu as elípticas em classes
de E0 a E7, de acordo com o seu grau de achatamento.
As galáxias elípticas variam
muito de tamanho, desde super-gigantes até anãs. As maiores elípticas têm
diâmetros de milhões de anos-luz, ao passo que as menores têm somente poucos
milhares de anos-luz em diâmetro. As elípticas gigantes, que têm massas
de até 10 trilhões de massas solares, são raras, mas as elípticas anãs são
o tipo mais comum de galáxias.
- A galáxia elíptica gigante
M87
Irregulares
(I)
Hubble classificou como
galáxias irregulares aquelas que eram privadas de qualquer simetria circular
ou rotacional, apresentando uma estrutura caótica ou irregular. Muitas irregulares
parecem estar sofrendo atividade de formação estelar relativamente intensa,
sua aparência sendo dominada por estrelas jovens brilhantes e nuvens de
gás ionizado distribuídas irregularmente.
Os dois exemplos mais conhecidos
de galáxias irregulares são a Grande e a Pequena Nuvens de Magalhães, as
galáxias vizinhas mais próximas da nossa Galáxia,
visíveis a olho nu no Hemisfério Sul, identificadas pelo navegador português
Fernão de Magalhães, em 1520. A Grande Nuvem aparentemente orbita a
Galáxia. Nela está presente o complexo 30 Doradus,
um dos maiores e mais luminosos agrupamentos de gás e estrelas super-gigantes
conhecido em qualquer galáxia. A Supernova 1987A ocorreu perto de 30 Doradus.
A Pequena Nuvem é bastante alongada e menos massiva do que a Grande Nuvem.
Aparentemente é o resultado de uma colisão com a Grande Nuvem acontecida
há uns 200 milhões de anos atrás.
-

Foto da galáxia irregular
Pequena Nuvem de Magalhães
Principais
características dos diferentes tipos de galáxias
|
Propriedade
|
Espirais
|
Elípticas
|
Irregulares
|
|
Massa (M¤) |
109 a
1012 |
105 a
1013 |
108 a
1011 |
|
Diâmetro (103 parsecs) |
5 - 30 |
1 - 1000 |
1 - 10
|
|
Luminosidade (L¤) |
108 a
1011 |
106 a
1012 |
107 a
2 × 109 |
|
População estelar |
velha e jovem
|
velha
|
velha e jovem
|
|
Tipo espectral |
A a K
|
G a K
|
A a F
|
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Gás |
bastante |
muito pouco |
bastante |
|
Poeira |
bastante |
muito pouca |
varia |
|
Cor |
azulada no disco |
amarelada
|
azulada
|
| |
amarelada no bojo
|
|
|
|
Estrelas mais velhas |
1010 anos |
1010 anos |
1010 anos |
|
Estrelas mais jovens |
recentes
|
1010 anos |
recentes |
Massas de galáxias
Assim como a massa de
uma estrela é a sua característica física mais importante, também nas
galáxias a massa tem um papel crucial, não apenas em sua evolução como
sistemas individuais, mas na evolução do próprio universo. Por exemplo,
da quantidade de massa das galáxias depende a densidade do universo, que
determina se o universo vai se expandir para sempre ou se um dia irá se
contrair. Determinamos a massa a partir das velocidades das estrelas e
do gás interestelar.
A formação e evolução
das galáxias
Qual a causa de existirem
diferentes tipos de galáxia? Quando os primeiros estudos sobre galáxias
iniciaram, o fato de as galáxia elípticas terem estrelas em geral mais
velhas do que as galáxias espirais levou os astrônomos a pensarem que
as diferenças se deviam à evolução, ou seja, as galáxias quando jovens
seriam espirais e mais tarde evoluiriam a elípticas.
Entretanto, se determinarmos
as idades das estrelas mais velhas em sistemas espirais e em sistemas
elípticos, encontramos que em ambos os tipos essas estrelas são igualmente
velhas, em torno de 10 bilhões de anos. Portanto, todas as galáxias que
vemos começaram a se formar mais ou menos na mesma época na história do
universo, e portanto têm mais ou menos a mesma idade. A diferença é que
nas espirais e nas irregulares sobrou gás suficiente para continuar o
processo de formação estelar até a época presente.
Aglomerados de
galáxias
Olhando-se fotografias
do céu, nota-se facilmente que as galáxias tendem a existir em grupos.
Jan Hendrik Oort demonstrou que as galáxias não estão distribuídas aleatoriamente
no espaço, mas concentram-se em grupos, como o Grupo Local, que contém
30 galáxias, e grande aglomerados, como o de Virgem, que contém 2.500
galáxias.
O Grupo Local
O grupo de galáxias ao
qual a nossa Galáxia pertence chama-se Grupo
Local. É um aglomerado pequeno com cerca de 30 membros, dos quais
a Galáxia e Andrômeda são os mais massivos.
As Nuvens de Magalhães, galáxias satélites da nossa Galáxia, também fazem
parte desse grupo. Os outros membros são, na maioria, galáxias elípticas,
e algumas são bem fracas. O Grupo Local ocupa um volume de 3 milhões de
anos-luz na sua dimensão maior, tendo a nossa Galáxia e Andrômeda localizadas
uma em cada extremidade.
Outros aglomerados
de galáxias
Outros aglomerados de
galáxias variam de grupos pequenos a aglomerados compactos. O aglomerado
de Fornax, relativamente próximo, apresenta um conjunto variado
de tipos de galáxias, embora tenha poucos membros.
O grande aglomerado de
Coma cobre 20 milhões de anos-luz no espaço (2 graus de diâmetro)
e contém milhares de membros. O aglomerado de Virgem tem no centro
as galáxias elípticas gigantes M84 e M86, situadas a uma distância de
34 milhões de anos-luz. Ele também cobre 20 milhões de anos-luz no espaço
e é um dos mais espetaculares do céu. Suas quatro galáxias mais brilhantes
são galáxias elípticas gigantes, embora a maior parte das galáxias membros
visíveis sejam espirais. O aglomerado de Virgem é tão massivo e tão próximo
que influencia gravitacionalmente o Grupo Local, fazendo com que nos movamos
na sua direção.
- O aglomerado de galáxias
de Hydra.
A denominação M das galáxias
vem de Charles Messier, um buscador de cometas, que em 1781 registrou
a posição de 103 objetos extensos (nebulosas) para não confundi-los com
cometas.
Superaglomerados
Depois de descobrir que
as galáxias faziam partes de aglomerados, os astrônomos se perguntaram
se existiam estruturas ainda maiores no Universo. Em 1953, o astrônomo
francês Gérard de Vaucouleurs demonstrou que os aglomerados de galáxias
também formam superaglomerados.
O superaglomerado mais
bem estudado é o Local, porque fazemos parte dele. Ele tem um diâmetro
de aproximadamente 100 milhões de anos-luz e aproximadamente uma massa
de cerca de 1015 massas solares, contendo o Grupo Local de
galáxias, e o aglomerado de Virgem.
Entre estes superaglomerados
observam-se grandes regiões sem galáxias, mas onde foram detectadas nuvens
de hidrogênio neutro. Margaret J. Geller e John Peter Huchra, do Center
for Astrophysics da Universidade de Harvard, e os brasileiros Luiz
Alberto Nicolaci da Costa e Paulo Sergio de Souza Pellegrini, do Observatório
Nacional, têm estudado a distribuição de galáxias em grande escala, mostrando
que as galáxias não estão distribuídas uniformemente, mas formam filamentos
no espaço. Um exemplo destes filamentos é a Grande Parede, uma concentração
de galáxias que se estende por cerca de 500 milhões de anos-luz de comprimento,
200 milhões de anos-luz de altura, mas somente 15 milhões de anos-luz
de espessura. Esta estrutura está a uma distância média de 250 milhões
de anos-luz da nossa Galáxia. Entre estes filamentos estão regiões, de
diâmetros de 150 milhões de anos-luz, sem galáxias. A estrutura lembra
um esponja.
Colisões entre
galáxias
Galáxias em aglomerados
estão relativamente próximas umas das outras, isto é, as separações entre
elas não são grandes comparadas com seus tamanhos (o espaçamento entre
as galáxias é da ordem de apenas cem vezes o seu tamanho). Isso significa
que provavelmente essas galáxias estão em freqüentes interações umas com
as outras.
Nos catálogos existentes
de galáxias peculiares há muitos exemplos de pares de galáxias com aparências
estranhas que parecem estar interagindo uma com a outra.
Como um primeiro resultado,
é de se esperar que uma interação entre duas galáxias puxe matéria
de uma em direção à outra. Essas "pontes" de matéria realmente se formam
entre as galáxias interagentes, mas também se formam caudas de matéria
que saem de cada galáxia na direção oposta à outra. Os irmãos Toomre têm
conseguido calcular modelos de galáxias interagentes que simulam a aparência
de diversos pares de galáxias com formas estranhas, vistas realmente no
céu. A NGC 4038AB é um exemplo clássico de galáxias em colisão.
Quasares
Os quasares, cujo nome
vem de "Quasi Stellar Radio Sources", foram descobertos em 1961, como
fortes fontes de rádio, com aparência ótica aproximadamente estelar, azuladas.
Mais provavelmente são galáxias com buracos negros fortemente ativos no
centro, como proposto em 1964 por Edwin Ernest Salpeter e Yakov Borisovich
Zel'dovich. São objetos extremamente compactos e luminosos, emitindo mais
do que centenas de galáxias juntas, isto é, até um trilhão de vezes mais
do que o Sol. Cerca de 600 quasares são conhecidos. São fortes fontes
de rádio, variáveis, e seus espectros apresentam linhas largas com efeito
Doppler indicando que eles estão se afastando a velocidades muito altas,
de até alguns décimos da velocidade da luz.
Hoje o modelo mais aceito
é que os quasares são buracos negros com massas de 1 milhão a 1 bilhão
de vezes a massa do Sol localizados no núcleo de galáxias ativas.
-

Radiogaláxias
São galáxias que têm uma
emissão em rádio muito intensa, em torno de 1033 a 1038
Watts. Observadas no ótico, geralmente têm a aparência de uma galáxia elíptica
grande, mas, observadas em rádio, apresentam uma estrutura dupla, com dois
lóbulos emissores em rádio, localizados um em cada lado da galáxia elíptica,
e a distâncias que chegam a 6 Mpc de seu centro. Outra característica das
radiogaláxias é a presença de um jato de matéria saindo da fonte central,
localizada no núcleo da galáxia. A explicação mais plausível para a fonte
de energia é a mesma dos quasares: partículas carregadas se movendo em um
campo magnético. Como a trajetória seguida pelas partículas é helicoidal,
seu movimento é acelerado e elas irradiam energia. Uma das radiogaláxias
mais brilhantes é Centauro A, localizada na constelação do Centauro, no
Hemisfério Sul celeste.
Galáxias Seyfert
As galáxias Seyfert, descobertas
por Carl Keenan Seyfert, em 1943, são galáxias espirais com núcleos pontuais
muito luminosos, em torno de 1036 a 1038 Watts, contribuindo
com aproximadamente metade da luminosidade total da galáxia no ótico. O
espectro nuclear apresenta linhas de emissão alargadas, de elementos pesados
altamente ionizados, e um contínuo não-térmico muito intenso no ultravioleta,
cuja estrutura é explicada como devida a movimentos internos muito rápidos
no núcleo. Geralmente, a emissão dessas galáxias sofre variabilidade em
períodos relativamente curtos, o que leva a concluir que a fonte emissora
deve ser compacta, como um buraco negro. Estima-se que aproximadamente 1%
de todas as galáxias espirais são Seyfert.
Objetos BL Lacertae
(BL Lac)
Os objetos BL Lacertae,
também chamados blazers, constituem uma outra classe de objetos exóticos,
que apresentam um núcleo muito brilhante e compacto. Têm como principais
características a extraordinária variabilidade em curtos períodos de tempo,
luz polarizada, e um espectro não-térmico sem linhas de emissão ou absorção.
O primeiro objeto desse tipo, e que deu nome à classe, foi BL Lacertae,
observado em 1929, na constelação do Lagarto. No princípio, foi confundido
com uma estrela, por seu brilho poder variar por um fator de 15, em poucos
meses. Muitos desses objetos são também fontes de rádio, e acredita-se que
eles sejam radiogaláxias, orientadas de forma que a linha de visada fica
na direção do jato.
O catálogo de galáxias
ativas dos franceses Marie-Paule Véron-Cetty e Philippe Véron, Quasars
and Active Galactic Nuclei, publicado em 2000, contém 13.214 quasares
(definidos como objetos mais brilhantes que magnitude absoluta B=-23), 4.428
AGNs (Active Galactic Nuclei, definidos como objetos mais fracos
que magnitude absoluta B=-23) e 462 BL Lac.