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ESTRELAS ANÃS, BINÁRIAS, NOVAS E SUPERNOVAS |
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Formação
Estelar
As observações indicam
que as estrelas nascem da matéria interestelar,
provavelmente quando uma nuvem de gás se torna gravitacionalmente instável,
possivelmente pela passagem de uma onda de choque causada pela explosão
de uma supernova nas proximidades, ou pela passagem de uma onda de densidade,
como aquelas teoricamente responsáveis pelos braços espiras das galáxias,
e colapsa. A existência de nuvens moleculares densas, como a nuvem de Órion,
onde existem muitas estrelas jovens, dos glóbulos de Bok [Bart Jan Bok (1906-1983)],
com sua emissão principalmente em infravermelho, dos envoltórios das estrelas
T Tauri, que são estrelas recém formadas, todos colaboram com a idéia da
relação entre nuvens de gás e a formação de estrelas.
Novas e Supernovas
- Imagem da Nova Cygni
1992 obtida em 1994 com a Faint Object Camera, da ESA, acoplada
ao Telescópio Espacial Hubble, da NASA. Nova Cygni 1992, que está a
10.430 anos-luz da Terra, na constelação do Cisne, explodiu em 19 de
fevereiro de 1992, e a imagem mostra o anel de matéria ejetada na explosão.
Algumas estrelas aumentam
sua luminosidade rapidamente, devido ao início de reações termonucleares
descontroladas: as novas e as supernovas. Existem registros históricos de
supernovas desde 1300 a.C., mas as mais bem conhecidas são a da Nebulosa
do Caranguejo (SN1054), a SN1572, a SN1604 e a SN1987A. Nessa nomenclatura,
as iniciais SN indicam supernova, e o número que segue é o ano da descoberta.
A SN1054 foi observada pelos chineses; a SN1572 foi observada por Tycho
Brahe, na constelação da Cassiopéia, e foi mais brilhante que Vênus, atingindo
magnitude aparente -4; a SN1604 foi observada por Johannes Kepler, na constelação
da Serpente, atingindo magnitude aparente -3; e finalmente a SN1987A descoberta
por Ian Shelton na Grande Nuvem de Magalhães, a primeira visível a olho
nu desde 1604, foi observada por um grande número de astrônomos profissionais
e amadores. A SN1987A foi também a primeira para a qual os neutrinos emitidos
na explosão foram detectados na Terra.
As novas ocorrem em anãs
brancas que fazem parte de sistemas binários, em que há transferência de
massa da companheira para a anã branca. A maior parte dos sistemas em que
novas ocorrem têm período orbital pequeno, algumas vezes até de horas. Nestes
sistemas ocorre transferência de massa devido ao preenchimento do lóbulo
de Roche da estrela de maior raio, e na maior parte das vezes de menor massa.

Ilustração
de um sistema binário transferindo matéria, que forma um disco de acresção
em volta da estrela que recebe massa. A matéria não pode cair diretamente
na estrela, por conservação de momento angular.
A curva de luz das novas
apresenta um rápido aumento de brilho, da ordem de 1 dia, de até 9 magnitudes,
e um declínio de 3 ou 4 magnitudes em algumas semanas, seguido de um declínio
mais lento, de até 10 anos.
Aproximadamente 50 novas
ocorrem por ano em galáxias como a Via Láctea. O primeiro espectro de uma
nova foi obtido em 12 de maio de 1868 por William Huggins de T Coronae Borealis.

Imagem
da SN1987A obtida com a Wide Field Planetary Camera 2 do Telescópio
Espacial Hubble em 1994, mostrando 3 anéis em volta do material ejetado
na explosão detectada na Terra em fevereiro de 1987, mas que na verdade
ocorreu 169.000 anos atrás, já que esta é a distância em anos luz para a
Grande Nuvem de Magalhães, galáxia anã irregular, satélite da Via Láctea.
A estrela supergigante azul de aproximadamente 25 M¤
que explodiu havia sido observada antes da explosão.
Já as supernovas, muito
mais raras, têm energia cinética da ordem de 1050 a 1051
ergs, luminosidades de 109 a 1010 L¤,
aumento de brilho em poucos dias e decréscimo em centenas de dias. O primeiro
espectro de uma supernova foi obtido em 1885 pelo alemão Hermann Carl Vogel,
de S Andromedae, três dias antes do espectro obtido pelo húngaro Nicholas
von Konkoly. As supernovas são classificadas em dois tipos principais, de
acordo com a classificação proposta em 1941 por Rudolph Leo Bernhard Minkowski:
as supernovas tipo I, que não apresentam hidrogênio no espectro, e as supernovas
tipo II, que apresentam linhas de emissão ou absorção de hidrogênio no espectro,
alargadas pela alta velocidade de ejeção do gás. O material ejetado das
supernovas atinge velocidades de 5.000 a 10.000 km/s, e suas massas são
tipicamente de 1 a 10 M¤
. Em galáxias espirais massivas, ocorre aproximadamente 1 SN Tipo I a cada
100 anos, e 1 SN Tipo II a cada 30 anos. As supernovas tipo II ocorrem por
implosão do núcleo em estrelas massivas e são observadas somente nos braços
de galáxias espirais e em galáxias irregulares. São um pouco menos luminosas
do que as tipo I.
As supernovas tipo I ocorrem
tanto em galáxias espirais quanto em elípticas. Recentemente algumas SN
Tipo I, e portanto sem linhas de hidrogênio, foram descobertas nas vizinhanças
de regiões HII e em braços espirais, e receberam a denominação de tipo Ib,
enquanto as tipo I clássicas são chamadas de Tipo Ia. As supernovas de tipo
Ia, que são associadas com a queima explosiva do carbono, ocorrem em sistemas
binários, quando uma estrela anã branca com massa próxima à massa de Chandrasekhar
recebe massa da companheira, que preenche seu lóbulo de Roche por expansão
devido à evolução. Sua curva de luz é tão similar de supernova para supernova,
que as SN Tipo Ia são utilizadas como indicadores de distâncias das galáxias.
As supernovas tipo Ib são
oriundas da queima explosiva de carbono ou colapso do núcleo em estrelas
deficientes em hidrogênio, como Wolf-Rayet.
A explosão das supernovas
se dá por ignição explosiva do carbono, para estrelas de massa intermediária
(cerca de 10 M¤),
ou por colapso gravitacional, para as estrelas massivas.
Anãs Brancas
Embora as anãs brancas
conhecidas estejam todas na vizinhança imediata do Sol, dentro de 100 pc,
aproximadamente 98% de todas as estrelas que já saíram da seqüência principal
são anãs brancas. Como as anãs brancas esfriam vagarosamente, mesmo as mais
velhas no disco da nossa galáxia ainda estão visíveis, com luminosidades
acima de
3 x 10-5 L¤
Como as anãs brancas têm
massa abaixo de 1,4 M¤
e são os núcleos degenerados das estrelas
de 1 a 9 massas solares, a maior parte da massa dos progenitores foi perdida
antes da fase de anã branca. As nebulosas planetárias são um dos canais
de formação das anãs brancas, mas existem outros canais evolutivos: estrelas
passando diretamente para anã branca, e também estrelas binárias interagentes.
Estrelas Binárias
É importante diferenciar
estrelas binárias reais das estrelas duplas aparentes, ou binárias aparentes,
em que duas estrelas estão próximas no céu, mas a distâncias diferentes
da Terra e parecem duplas somente por efeito de projeção.
Em 1783, John Goodricke
viu a estrela Algol (b
Persei), que normalmente é de 2ª magnitude,
diminuir para 1/3 do seu brilho, por algumas horas. Trata-se de uma binária
eclipsante, com um período de 2d20h49m. Geminiano Montanari já tinha notado
alguma variabilidade em 1669.
Em 1804, William Herschel
descobriu uma companheira fraca da estrela Castor (a
Geminorum) e mediu o período como sendo
de 342 anos, usando uma medida feita por James Bradley, terceiro astrônomo
real da Inglaterra, em 1759, que já catalogava estrelas duplas. Herschel
foi o primeiro a estabelecer que se tratavam de corpos interagindo gravitacionalmente,
isto é, de binárias físicas.

O sistema
binário Castor, a estrela mais brilhante da constelação de Gêmeos (1,6 mag),
que está a 45 anos-luz da Terra e é composto de duas estrelas separadas
de 6 segundos de arco e com um período orbital de 350 anos.
Em 1889, Edward Charles
Pickering, professor de Harvard e Antonia Caetana de Paiva Pereira Maury,
sua assistente, descobriram as binárias espectroscópicas, com a estrela
Mizar A (z
Ursae) apresentando linhas duplas que variavam com um período de 104 dias.
Em 1908 Mizar B foi também detectada como uma binária espectroscópica por
Edwin Brant Frost e Hans Ludendorff, com um período de 175,6 dias.

Imagem atual obtida
com o interferômetro ótico Navy Prototype Optical Interferometer
no Arizona, com seis telescópios, compreendendo 15 minutos de arco, de
Mizar A (2,27 mag), Mizar B (3,95 mag), a 15 segundos de arco de
distância, e a estrela variável Alcor (4,04 a 4,07 mag).
Tipos
de sistemas binários
- Binárias Visuais:
é um par de estrelas associadas gravitacionalmente que podem ser observadas
ao telescópio como duas estrelas. A separação usual é de centenas de
unidades astronômicas.
-
Binárias
Astrométricas: quando um dos membros do sistema é muito fraco
para ser observado, mas é detectado pelas ondulações no movimento da
companheira mais brilhante. Exemplo: Sírius era binária astrométrica
até 31 de janeiro de 1862, quando Alvan G. Clarck Jr. detectou sua companheira
fraca, uma anã branca, pela primeira vez.
- Binárias Espectroscópicas:
quando a natureza binária da estrela é conhecida pela variação de sua
velocidade radial, medida através das linhas espectrais da estrela,
que variam em comprimento de onda com o tempo. A separação média é da
ordem de 1 UA. Como o período é curto, sua velocidade orbital é grande.
Esta também é a forma que planetas em torno de estrela têm sido detectados
no últimos anos.
- Binárias Eclipsantes:
quando a órbita do sistema está de perfil para nós, de forma que as
estrelas eclipsam uma á outra.
Classificação das
Estrelas
As estrelas são classificadas em função
decrescente da temperatura, como segue:
|
O |
estrelas azuis, com T=20.000
a 35.000 K. Ex.: Mintaka (d
Ori, uma das Três Marias) |
|
B |
estrelas branco-azuladas,
com T=15.000 K. Ex.: Rigel (b
Ori) e Spica (a
Vir) |
|
A |
estrelas brancas, com
T=9.000 K. Ex.: Sírius (a
Can Maj) e Vega (a
Lyr) |
|
F
|
estrelas branco-amareladas,
com T=7.000 K. Ex.: Canopus (a
Car) e Procyon (a
Can Min) |
|
G |
estrelas amarelas, com
T=5.500 K. Ex.: Sol e Capela (a
Aur) |
|
K |
estrelas alaranjadas,
com T=4.000 K. Ex.: Aldebarã (a
Tau) e Arcturus (a
Boo) |
|
M |
estrelas vermelhas, com
T=3.000 K. Ex.: Betelgeuse (a
Ori) e Antares (a
Sco) |
Como a classificação de
Harvard só leva em conta a temperatura, em 1943, William Wilson Morgan (1906-1994),
Philip C. Keenan (1908-2000) e Edith Kellman, do observatório de Yerkes,
introduziram as seis diferentes classes de luminosidade, baseados nas larguras
das linhas:
- Ia - supergigantes superluminosas.
Exemplo: Rigel
- Ib - supergigantes. Exemplo:
Betelgeuse
- II - gigantes luminosas.
Exemplo: Antares
- III - gigantes. Exemplo: Aldebarã
- IV - subgigantes.
Exemplo: Acrux
- V - anãs (seqüência principal).
Exemplo: Sol
A classe de luminosidade
é determinada pelas linhas espectrais que dependem fortemente da gravidade
superficial, diretamente relacionada à luminosidade. As massas das gigantes
e anãs são similares, mas o raio das gigantes é muito maior.
Meio interestelar
Embora a maior parte da
massa da nossa galáxia esteja concentrada em estrelas, o meio interestelar
não é completamente vazio. Ele contém gás e poeira, na forma
de nuvens individuais, e também em um meio difuso. O meio interestelar contém
tipicamente um átomo de hidrogênio por centímetro cúbico, e aproximadamente
100 grãos de poeira por quilômetro cúbico. O Meio Interestelar compreende
todo o material entre as estrelas. A grande parte do gás é composta de hidrogênio,
a poeira é composta principalmente de grafite, silicatos e gelo de água,
em grãos de vários tamanhos, mas muito menores (da ordem de 1 micrometro)
do que a poeira aqui na Terra. Aproximadamente 10% da massa da Via Láctea,
nossa galáxia, está na forma de gás interestelar, e a poeira agrupa menos
de 1% da massa em gás. Raios cósmicos, que são partículas altamente energéticas,
estão misturados com o gás e a poeira, e existe também um campo magnético
galáctico, fraco.
A quantidade de gás do
meio interestelar diminui continuamente com o tempo pois novas gerações
de estrelas se formam a partir do colapso de nuvens moleculares gigantes.
O colapso e fragmentação
destas nuvens dão origem a aglomerados estelares, que são agrupamentos
de estrelas todas a aproximadamente a mesma distância e de mesma idade.
- Os aglomerados estelares
se dividem em aglomerados abertos, que contêm centenas a poucos milhares
de estrelas, e aglomerados globulares, como este da foto, e contêm
milhares a centenas de milhares de estrelas.
Como a função inicial de
formação estelar favorece fortemente a formação de estrelas de baixa massa
(para cada estrela de massa entre 20 e 30 massas solares, centenas de estrelas
de massa entre 0,5 e 1 massa solar são formadas), e as estrelas de baixa
massa perdem muito pouco de sua massa em sua evolução, cada nova geração
de estrelas aprisiona o gás do meio interestelar.
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