 |
OBSERVANDO O CÉU |
 |

O céu em
Dezembro e Janeiro
Nestas noites de verão, no hemisfério sul, temos a
oportunidade de ver a mais bela das constelações, Órion.
Estamos bem situados em nossa latitude para observar esta constelação
que, em janeiro, se encontra a leste do meridiano, atravessando o
equador celeste. Pela facilidade em localizá-la, é a melhor constelação
para ser observada por aqueles que se iniciam no estudo das maravilhas
do céu.
Órion
é formada por sete estrelas principais, dispostas de tal maneira que as
quatro de primeira magnitude formam um grande trapézio em cujo centro se
acham outras três, de segunda magnitude. Estas três estrelas brilhantes,
igualmente espaçadas em linha
reta,
constituem o Cinturão do Caçador ou, como são chamadas, na
linguagem popular, as Três Marias. As quatro
estrelas que formam o trapézio são: Alfa de Órion (Betelgeuse),
o ombro direito do Órion; Gama de Órion (Bellatrix),
o ombro esquerdo; Beta de Órion (Rígel), o pé direito, e
Kapa de Órion (Saiph), o joelho. Como esta constelação foi
imaginada pelos povos do hemisfério norte, a cabeça de Órion,
formada por Lambda de Órion, está dirigida para o norte, de modo
que o Caçador é visto de cabeça para baixo pelos habitantes do
hemisfério sul.
As Três Marias, isto é, Delta de Órion (Mintaka),
Epsílon de Órion (Alnilam) e Zeta de Órion (Alnitaka),
constituem uma das mais belas visões do céu austral. Mintaka é
uma bela estrela dupla, de fácil observação com o auxílio de um
binóculo. O brilho das suas componentes é de segunda magnitude, estando
distanciadas de 52 segundos.
Órion
é constituída de algumas das mais interessantes estrelas e nebulosas.
Betelgeuse é uma das maiores estrelas brilhantes. O seu
diâmetro é de 250 vezes o do Sol. Betelgeuse não pertence,
realmente, ao grupo de Órion; está, aproximadamente, a 200
anos-luz, enquanto os outros membros de Órion estão a mais de 600
anos-luz de nós. Betelgeuse é uma variável cujo brilho varia de
maneira semi-regular. Beta de Órion, ou Rígel, é
uma estrela azul-esbranquiçada da classe B, portanto uma estrela quente.
A sua temperatura superficial é de 13.500º centígrados. Possui uma
companheira azul de sétima magnitude a uma distância de nove segundos,
que pode ser vista com um pequeno telescópio de 5 cm de abertura.
Não muito afastado de Zeta de Órion encontra-se
Teta de Órion, junto da qual está a grande nebulosa de Órion,
imensa massa de gás em expansão dentro da Galáxia, e uma das raras
nebulosas que se pode ver a olho nu. Vista ao telescópio, ou mesmo com
um binóculo, parece uma nuvem difusa de coloração azul-esverdeada que
emite uma luz brilhante. Observando-a, temos a atenção voltada para a
estrela Teta de Órion, que se compõe de seis pares de estrelas,
quatro dentre as quais formam um trapézio imaginário facilmente
observável em modestos telescópios.
A noroeste
estão Pégaso e Andrômeda. Uma parte da
constelação de Pégaso é visível acima do horizonte norte. Alfa
de Perseu (Mirtaka) é nítida no horizonte. Ë uma estrela
supergigante de segunda magnitude, cercada por inúmeras estrelas mais
fracas; vista com o auxilio de um pequeno telescópio, Mirtaka
aparece como o centro de um aglomerado estelar aberto.
Beta de Perseu
fica a sudoeste de Mirtaka. Constitui a famosa estrela variável
Algol, provavelmente a melhor conhecida das binárias
eclipsantes. Neste sistema, duas estrelas movem-se em órbita em torno de
um centro de gravidade comum, de tal maneira que uma eclipsa
parcialmente a outra. O período de Algol é de 2 dias, 20 horas e
49 minutos de um brilho máximo ao outro. Por 2 dias e 11 horas, a
magnitude do sistema permanece aproximadamente constante, igual a 2,2.
Então, em cerca de 5 horas, Algol decresce de brilho, atingindo a
magnitude de 3,5. Em seguida, o brilho começa a aumentar, atingindo, ao
fim de 5 horas, a magnitude original. Estas flutuações de brilho são de
fácil registro a vista desarmada, pela comparação do brilho de Algol
com o da estrela vizinha Rô de Perseu. Normalmente Beta de
Perseu é mais brilhante, mas durante o eclipse ela se torna tão
fraca quanto Rô de Perseu.
Ao sul de
Pégaso fica a constelação de Touro, notável por
possuir dois belos aglomerados, ambos visíveis a olho nu, as Hyades
e as Plêiades.
O aglomerado das Hyades tem a forma
semelhante a um triângulo. O vértice sul é formado pela estrela de
terceira magnitude Gama do Touro, o da esquerda pela estrela
Epsílon do Touro, e o da direita pela estrela Alfa do Touro (Aldebarã).
Aldebarã é uma estrela-gigante de classe espectral K, com
um diâmetro de 35 vezes o do Sol. Entre Aldebarã e Gama do
Touro está uma estrela dupla visível a olho nu: Teta do Touro.
Próximo a Zeta do Touro está a célebre nebulosa do Caranguejo
(Messier 1), formada pelos gases remanescentes da
supernova observada pelos chineses em 1054.
A oeste do Touro, encontramos o mais famoso de
todos os aglomerados abertos, as Plêiades, ou o Enxame
de Abelhas dos nossos índios. Seis estrelas deste aglomerado são
facilmente vistas sem nenhum auxílio ótico. Algumas pessoas chegam a
registrar sete ou até mesmo dezenove. As sete estrelas mais brilhantes
são respectivamente denominadas: Alcyone, Merope,
Electra, Celaeno, Taygeta, Maia e Asterope.
As Plêiades estão imersas em uma matéria nebulosa que as torna um
dos mais belos objetos do céu, mesmo quando observadas com uma pequena
luneta.
Se traçarmos uma linha reta imaginária que passe pelas
Plêiades, ao norte, e pelas Três Marias, ao sul, teremos
indicada a posição da constelação do Cão Maior. Tal
asterismo é notável, porque contém a mais brilhante estrela do céu:
Sírius (Alfa do Cão Maior). Estrela branca, do tipo A,
Sírius tem uma temperatura de cerca de 10.000º centígrados. Está
relativamente próxima de nós; cerca de oito e meio anos-luz. Sírius
tornou-se um objeto de grande interesse quando da descoberta de sua
companheira, muito notável, e cuja presença, revelada de início por
oscilações em seu movimento, foi depois confirmada visualmente por Alvan
Clark, quando testava a grande objetiva da luneta principal de Dearborn.
A princípio, Alvan pensou que a imagem secundária junto a Sírius
fosse um defeito da objetiva.
Esta companheira de Sírius descreve uma órbita em
quase 50 anos, e a determinação de sua massa provocou uma surpresa: sua
densidade era da ordem de 170.000, isto é, um centímetro cúbico deveria
ter uma massa de 170 quilogramas - caso oposto ao das gigantes, como
Betelgeuse. Como era branca, e não era nem muito fria, nem vermelha,
e não seguisse a série principal, descobriu-se que constituía um novo
tipo de estrela: o das “anãs brancas”.
O Cão Maior contém campos surpreendentes para um
binóculo. Nas proximidades da estrela amarela Delta do Cão Maior
encontram-se sete pequenas estrelas que formam um semicírculo. Sobre a
linha Sírius-Delta do Cão Maior, há uma estrela dupla
brilhante e afastada, visível a olho nu: Ômicron do Cão Maior.
No alinhamento de Sírius e Ômicron veremos uma pequena
nebulosidade. É o aglomerado Messier 41, conhecido desde a
Antiguidade pelos gregos.
A oeste, e a meio caminho da região sul de Órion e do Cão
Maior, está a constelação da Lebre. Ainda que pequena,
constitui um grupo notável, que tem a forma de uma cadeira. Os árabes a
chamavam de Trono de Órion. Gama do Cão Maior é uma
bela estrela dupla, de terceira e sexta magnitudes, distanciada a 90
segundos, e que pode ser separada facilmente, quando observada em
binóculo.
O céu em
Fevereiro e Março
Nos
meses de fevereiro e março o céu
apresenta
um reluzente espetáculo: brilham as mais importantes constelações. Vinte
e duas das trinta estrelas mais brilhantes do céu, dentre elas as duas
mais notáveis (Sirius e Capella) estão visíveis. É a única
época do ano em que a luz artificial das grandes cidades não ofusca a
beleza do céu.
Ao
norte, baixo no horizonte, vemos Auriga, o
Cocheiro, constelação conhecida desde a mais remota antiguidade.
Alfa de Auriga (Capella), com a sua coloração amarela, pertence ao
tipo espectral G, como o Sol; Capella é, depois de
Sirius,
a
estrela mais brilhante do céu. Auriga é um asterismo facilmente
reconhecível, pelo pentágono que forma com as estrelas Alfa de
Auriga (Capella), Beta de Auriga, Iota de Auriga, Teta
de Auriga e a intrusa Beta do Touro. Durante muito
tempo Beta do Touro foi considerada como Gama de
Auriga.
As duas
estrelas de primeira magnitude, a noroeste do Touro e de
Auriga, são Castor e Pollux, respectivamente as
estrelas alfa e beta da constelação dos Gêmeos. É
importante ressaltar que, a estrela mais brilhante da constelação dos
Gêmeos não é Castor (Alpha Geminorum), mas Pollux (Beta
Geminorum). O aspecto geral desta constelação é o de um grande
retângulo paralelo à eclíptica, em cujos vértices estão as estrelas
Alfa, Beta, Gama e Delta de Gêmeos.
Castor
(Alfa
dos
Gêmeos) é uma das mais belas estrelas sêxtuplas. As principais
componentes de Castor, observáveis com uma pequena luneta, são de
segunda e terceira magnitude. O terceiro componente deste sistema é uma
estrela muito fraca, de nona magnitude. Castor constitui uma
tripla visual, da qual as duas primeiras componentes são por sua vez
binárias espectroscópicas e a terceira uma dupla fotométrica,
constituindo assim, uma estrela sêxtupla.
Um pouco
a noroeste de Eta dos Gêmeos está um belo aglomerado
perceptível a olho nu, mas um espetáculo magnífico visto com o auxilio
de um telescópio, ou mesmo com um binóculo. É o aglomerado de
Messier 35.
A leste
dos Gêmeos está a constelação de Câncer.
Entre as estrelas Gama e Delta de Câncer, durante
as noites límpidas e sem Lua e longe da luz das cidades, será fácil
distinguir uma região leitosa, conhecida desde a Antiguidade pelo nome
de Presépio. Este aglomerado,
Messier
44,
que foi um dos primeiros a receber o nome impróprio de nebulosa, teve a
sua natureza determinada por Galileu que, com sua luneta, descobriu que
era composto de mais de 150 estrelas.
Alfa
de
Câncer
é uma
conhecida estrela dupla, mas a sua duplicidade só pode ser verificada
por intermédio de um telescópio. À esquerda da Alfa de Câncer
pode-se observar, com um pequeno binóculo, uma tênue nebulosidade. É
o aglomerado Messier 67, composto de mais de 200 estrelas.
Iota
de
Câncer
é
uma
interessantíssima dupla quando observada num binóculo, pois uma das
estrelas é azulada e a outra alaranjada, respectivamente, de quarta e de
sexta magnitude.
Entre o
Cão Maior e Cão Menor está a constelação de
Monoceros, o Unicórnio, formada por estrelas de fraca
magnitude. Abaixo de
Monoceros
está a
pequena constelação do Cão Menor. Alfa do Cão Menor
(Procion) é uma brilhante binária, situada à distância de dez
anos-luz. Entretanto, é muito difícil observar sua companheira, de
décima terceira magnitude.
Na
região sudeste do céu está a constelação do Navio.
Pelo fato de cobrir uma parte do céu tão extensa, tornou-se bastante
difícil identificar as suas principais estrelas. Para contornar tal
dificuldade o asterismo foi dividido em Carina,
Puppis e Vela. A mais brilhante estrela do
grupo é Alfa de Carina, também chamada Canopus.
Esta constelação possui, além desta, um grande número de estrelas
brilhantes. Há, entretanto, dois objetos de interesse especial. Um deles
é a Gama de Vela e outro Eta de Carina.
Gama
de
Vela
é
uma
estrela de segunda magnitude com dois companheiros, de sexta e oitava
magnitude. Se a observarmos com o auxílio de um telescópio, iremos
encontrar mais quatro estrelas, de nona magnitude. O grande interesse
deste sistema não reside somente no fato de ser um sistema múltiplo, mas
no de Gama de Vela ser a única estrela conhecida que
apresenta um espectro contínuo. Ela pertence à classe espectral O. Com o
auxilio de um pequeno instrumento munido de um espectroscópio estaremos
aptos a observar este belo espectro.
O outro
objeto é a estrela variável Eta de Carina,
que explodiu em 1843, tornando-se tão brilhante quanto Sirius,
tendo permanecido assim por 10 anos. Desde então começou a diminuir de
brilho, até que nos últimos cinqüenta anos tornou-se tão fraca que
dificilmente podemos observá-la a olho nu. Esta estrela tem outro
interesse particular: nas suas vizinhanças encontra se uma magnífica
nebulosa, o Buraco da Fechadura, descoberta por
John Herschel, que a observou pela primeira vez em 1835, no Cabo da Boa
Esperança. Mesmo com um pequeno binóculo podemos ver esta bela nebulosa
escura, que é um dos mais extensos objetos do céu.
A cruz
formada por Epsilon de Carina, Delta de Vela, Kapa
de Vela e Iota de Carina é um dos grupos estelares
de fácil identificação, por serem estas estrelas as mais brilhantes da
região. Tal grupo é geralmente confundido com o Cruzeiro do Sul,
ainda que a sua forma menos perfeita e seu brilho menor o tornem menos
notável. A Falsa Cruz, como é conhecido este grupo,
fornece um dos meios mais fáceis para a localização de alguns objetos
notáveis que podem ser observados ainda que com uma pequena luneta. O
braço da Falsa Cruz, ou melhor, a linha que liga Iota e
Delta de Vela, permite localizar Omicron de Vela,
uma estrela difusa a vista desarmada, mas um belo aglomerado aberto
(IC 2391) quando observado com um binóculo. Na região de
Epsilon de Carina e Kapa de Vela, próximo a
esta última, ao norte, encontra-se outro notável aglomerado aberto (NGC
2925).
Prolongado duas vezes o braço da Falsa Cruz na direção sudeste,
encontraremos Teta de Carina, estrela junto à qual está o
aglomerado aberto denominado Plêiades Austrais (IC 2602),
facilmente perceptível a olho nu. Visto com uma pequena luneta é, porém,
um objeto verdadeiramente espetacular: num fundo escuro, formado por
nebulosas escuras, destaca-se uma ilhota leitosa composta de estrelas
que, por serem muito brilhantes, são chamadas de Diamantes Celestes;
destacam-se ai estrelas de diversas colorações, num belo contraste
colorido.
O céu em
Abril e Maio
Passando pelo meridiano, vemos a constelação zodiacal do
Leão. Alfa do Leão (Regulus) é uma estrela
branco-azulada, do tipo espectral B e de primeira magnitude, situada a
meio grau ao norte da eclíptica. Ela forma, com uma estrela de oitava
magnitude, um par muito afastado, que se pode observar com uma luneta.
Beta do Leão (Denebola), de segunda magnitude, tem nas
suas proximidades inúmeras estrelas, um belo panorama a ser observado
com um binóculo. A mais notável dupla deste grupo estelar é Gama
do Leão, devido ao contraste de coloração das suas componentes.
Este par, de período muito lento (619 anos), é formado por componentes
de segunda e terceira magnitude.
Acima do Caranguejo e do Leão está, a leste,
Hidra, a Serpente do Mar, constelação que ocupa uma
porção do céu apreciável, ao norte e leste do zênite. A estrela mais
brilhante do grupo é Alpha Hydrae, também conhecida como
Alfard, célebre pela sua coloração amarelada.
Na cauda da Serpente vemos um agrupamento de
pequenas estrelas. A estrela variável Gama de Hidra situada entre
Psi e Rô de Hidra pode estar, alternadamente, visível e
invisível a vista desarmada. Seu brilho varia da quarta para a décima
magnitude em 386 dias. A dupla Psi de Hidra é uma estrela
amarelada e tem um companheiro azul de fácil observação com ajuda de um
binóculo. Existem neste asterismo várias duplas de interesse, visíveis a
telescópio de poder separador modesto. Dentre elas podemos citar
Epsilon de Hydra, uma tripla cujo par principal é constituído
por uma binária de curto período (15 anos).
Na Hydra encontramos também inúmeras nebulosas
extragalácticas, uma das quais de fácil localização, a nebulosa
planetária NGC 3242, situada ao sul da estrela Mu de
Hidra. Visível a olho nu, encontramos nos limites da constelação da
Hidra, mais próximo de Zeta de Unicórnio, o aglomerado
estelar NGC 2548, descoberto em 1783 por Caroline, irmã do
célebre astrônomo Herschel.
Crater, a Taça,
e Corvus, o Corvo,
seguem-se a Hidra. Estes dois pequenos asterismos quase que não
oferecem objetos dignos de observação, além de três galáxias. Duas delas
são as galáxias em colisão NGC 4038/39, situadas ao sul da
estrela Eta de Taça. A terceira é a nebulosa planetária NGC
4361, situada ao sul, no meio do alinhamento formado pelas
estrelas Delta e Gama Corvi.
Seguindo as constelações de Crater e Corvus, iremos
encontrar ao sul, o Cruzeiro do Sul, a mais célebre
constelação, apesar de ser a menor de todas. Essa constelação, notável
pela forma simbólica e pelo brilho das suas componentes, está situada ao
lado de inúmeras manchas mais escuras, dentre elas a conhecida nebulosa
Saco de Carvão.
O Cruzeiro do Sul é formado pelas estrelas Alfa,
Beta, Gama e Delta do Cruzeiro, de primeira
magnitude. A estas juntamos uma quinta estrela, Epsilon do Cruzeiro,
de terceira magnitude e, habitualmente, denominada Intrusa. As
estrelas Alfa, Beta e Delta do Cruzeiro são
alaranjadas (espectros M e K). As estrelas Alfa e Gama são
estrelas duplas de fácil observação com a ajuda de um pequeno binóculo,
sendo que Gama apresenta um esplêndido contraste de cores: uma
das componentes é azul e a outra alaranjada. Junto à estrela Kapa do
Cruzeiro, encontra-se o aglomerado da Caixa de Jóias,
célebre em virtude da coloração das estrelas que o compõem.
Do alinhamento das estrelas Beta e Gama do Cruzeiro
iremos encontrar, do lado leste, duas brilhantes estrelas, Alfa e
Beta do Centauro, que constituem, com as do Cruzeiro do Sul,
as formações mais notáveis do nosso céu. A primeira é de cor amarelada e
de magnitude zero, enquanto a segunda é de coloração azulada e de
primeira magnitude. Alfa do Centauro, a estrela mais próxima de
nós, constitui um sistema binário descoberto, em 1689, por Richaud, em
Pondichéry. Desde então já foram registradas mais de três voltas da
estrela secundária em torno da primeira. O período destas voltas é de 80
anos.
Em 1916 o astrônomo sul-africano de origem holandesa, Innes,
descobriu uma estrela de brilho muito fraco (de décima primeira
magnitude) próxima do sistema Alfa do Centauro. Verificando que
ela se encontrava mais próxima do Sol, resolveu denominá-la Próxima
do Centauro.
A constelação do Centauro oferece ao observador um
conjunto de nebulosas galácticas extremamente ricas. As regiões mais
notáveis para a observação com uma luneta, ou mesmo a vista desarmada,
são as de Alfa e Beta do Centauro e do Cruzeiro do Sul,
assim como as proximidades da Lambda do Centauro.
Junto a Omega do Centauro encontra-se o mais belo
aglomerado globular, facilmente visível a olho nu como uma estrela
difusa. Ao telescópio, este aglomerado descoberto por Halley em 1677,
constitui o maior, o mais aberto e o mais impressionante aglomerado do
céu: o número de estrelas é incontável!
|