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OS BURACOS NEGROS |
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Referências
históricas
A
previsão da existência de buracos negros não é uma coisa recente. Em 1783,
John Michell (1724-1793) em seus estudos já teria previsto que, se uma estrela
possuísse muita massa ocupando um volume muito pequeno, nem mesmo a luz
seria capaz de fugir desse objeto compacto. Estudos paralelos também ocorreram
na França pelo matemático Pierre-Simon (marquês de Laplace) (1749-1827),
mas só os incluiu nas duas primeiras edições de seu livro O sistema do
mundo.
Michel e Laplace chegaram,
independentemente um do outro, a conclusões bastante parecidas. A velocidade
de escape corresponde ao mínimo valor necessário de velocidade para escapar
totalmente de um campo gravitacional gerado pela presença de uma massa.
Por exemplo, para escapar ao puxão gravitacional da nossa Lua a velocidade
é de 2,4 km/s e no caso de Júpiter, o maior e mais massivo planeta do Sistema
Solar, a velocidade mínima de escape é de 61,1 km/s. Considerando um corpo
com a densidade média uniforme do Sol eles concluíram que seria necessário
uma estrela com o tamanho aproximado de todo o Sistema Solar para que, nem
mesmo a luz, pudesse escapar de seu campo gravitacional. Como não emitiriam
luz, esses objetos poderiam ser detectados em sistemas binários, isto é,
duplas de estrelas nas quais uma delas pareceria girar em torno de um ponto
escuro do Espaço.
A partir do século XX,
os “corpos escuros” de Laplace mostraram ser uma
realidade bem mais complexa. Foi o astrônomo Karl Schwarzschild (1873-1916)
um dos primeiros a propor soluções teóricas para um cenário no qual a geometria
euclidiana era insuficiente para explicar os comportamentos do Espaço.
Em 1928, o astrofísico
indiano Subrahmanyan Chandrasekhar embarcou para a Inglaterra a fim de estudar
com o astrônomo inglês Eddington. Ele questionou como poderia uma estrela
se sustentar contra sua própria gravidade quando acabasse seu combustível
nuclear. Chandrasekhar calculou então que uma estrela com cerca de uma vez
e meia a massa do Sol não seria capaz de se sustentar contra sua própria
gravidade. Esta é a massa limite de Chandrasekhar. Esse valor gira em torno
de aproximadamente 1,2 massas solares. Descoberta equivalente foi feita
na mesma época pelo físico russo Lev Davidovich Landau.
Os buracos negros que
se popularizaram tanto, entre aqueles que começavam a se interessar pela
astrofísica ou pelo público em geral, foram propostos em 1939 por Julius
Robert Oppenheimer (1904-1967) e sua equipe de colaboradores. Oppenheimer
porém ficou bem mais conhecido pela sua participação
na construção de aparatos nucleares durante a Segunda Grande Guerra. Os
cálculos conhecidos hoje como limite Oppenheimer-Volkoff mostrou que um
objeto compacto, resultante de uma supernova que possuía cerca de três massas
solares, poderia dar origem a uma estrela de nêutrons estável, mas um objeto
remanescente de uma Supernova com massa original superior a esse valor de
três massas solares, poderia colapsar na forma de um buraco negro.
O nome “buraco negro”
foi usado pela primeira vez pelo astrofísico John A. Wheeler, apenas em
1967.
O que
são Buracos Negros?
Estrelas
com massas superiores a uma vez e meia a massa do Sol se instabilizam explodindo
como Supernovas. O que sobra são estrelas de nêutrons em muitos dos casos
em que a massa não é muito grande. No caso de uma anã branca com massa próxima
de nosso Sol, o tamanho previsto não é superior ao do nosso planeta. Imagine
a densidade da matéria numa estrela desse tipo. Agora pense numa estrela
de nêutrons com um diâmetro da ordem de 1/700 o diâmetro de uma anã branca.
Estaremos falando de uma estrela com massa superior à do Sol, ocupando
não mais que alguns quilômetros de diâmetro. Isso parecia impossível até
a descoberta dos primeiros pulsares na década de 1960. Os pulsares são estrelas
de nêutrons. Foi esse tipo de pesquisa que revitalizou a idéia de estrelas
dotadas de massas superiores à do Sol e que podiam ocupar volumes muito
pequenos, não superiores a uma dezena de quilômetros, aumentando em conseqüência
suas densidades a ponto de se tornarem objetos que não permitiriam sequer
o escape da própria luz.
Muitas pessoas imaginam
que os buracos negros possam crescer a ponto de engolir a Terra algum dia.
Essa idéia é reforçada pelas representações e imagens que mostram os buracos
negros como grandes redemoinhos ou funis que sugam toda a matéria por onde
passam. Outra noção bastante comum sobre os buracos negros é de que eles
sejam verdadeiramente buracos no Espaço e que permanecem desse modo através
da eternidade ou de que sejam escuros totalmente.
Estudos desenvolvidos
pelo físico Stephen Hawking em 1974 mostraram que existem mecanismos pelos
quais os buracos negros podem converter suas massas em energia ou partículas.
Assim, há condições em que buracos negros se tornam brilhantes. Uma estrela
comum que gire em torno de um desses objetos, pode ter sua matéria capturada
pelo buraco negro na forma de discos de acréscimo ou acresção. Numa trajetória
espiral esse material gira em torno do buraco negro e se aquece a ponto
de emitir raios X. Assim, nos sistemas binários eles podem ser detectados
desse modo.
Os buracos
negros não são eternos
Para os buracos negros
formados a partir da evolução estelar a perda de massa-energia nesse processo
não chega a ser significa para curtos intervalos de tempo, mas para buracos
negros primordiais a perda de energia pode fazer com que eles diminuam seus
volumes até desaparecerem na forma de uma explosão bastante energética na
faixa de raios X ou radiação Gama. Esse fenômeno (em teoria) faz dos buracos
negros, objetos não eternos. Um buraco negro com a massa do Sol pode evaporar
depois de 1062 anos e um buraco negro como o que, acredita-se
estar no centro de nossa galáxia deve durar milhões de bilhões de anos.
HDE
226868 girando ao redor de um buraco negro?
Na década de 1970 surgiram
as primeiras indicações claras da existência desses objetos. Uma poderosa
fonte de raios X foi encontrada na constelação do Cisne. Conhecida como
Cygnus X-1. Ela se apresentou como um objeto menor do que a Terra,
girando em torno da estrela HDE 226868. Com a dinâmica orbital foi possível
determinar para esse objeto uma massa superior ao limite Qppenheimer-Volkoff.
Ele foi o primeiro “candidato” a buraco negro, seguido de um bom número
de outros.
Tipos de Buracos Negros
Os Buraco Negros são considerados
entidades físicas relativamente simples pelo fato de podermos descrevê-los
e classificá-los conhecendo somente três características suas: massa, momentum
angular (medida da sua rotação) e carga elétrica. De acordo com a massa,
podemos classificar os buracos negros em dois tipos principais:
-
Buracos Negros Estelares:
originados a partir da evolução de estrelas massivas e portanto com massa
da ordem das massas estelares.
-
Buracos negros Supermassivos:
encontrados nos centros das galáxias, com massas de milhões a um bilhão
de vezes a massa solar, provavelmente formados quando o Universo era bem
mais jovem a partir do colapso de gigantescas nuvens de gás ou de aglomerados
com milhões de estrelas.
Alguns buracos
negros conhecidos
|
Galáxia
|
Constelação
|
Distância
(em anos-Luz)
|
Luminosidade
(veja abaixo)
|
Massa
(Sol = 1)
|
|
Galáxia (Via
Láctea) |
|
2.800
|
1.9 |
2.000.000 |
|
NGC 224 /
M31 |
Andrômeda |
2.300.000
|
5.2 |
30.000.000 |
|
NGC 221 /
M32 |
Andrômeda |
2.300.000 |
0.25 |
3.000.000 |
|
NGC 3115 |
Sextans |
27.000.000 |
14.2 |
2.000.000 |
|
NGC 4258 |
Canes Venacti |
24.000.000 |
1.3 |
40.000.000 |
|
NGC 4261 |
Virgo |
90.000.000 |
33 |
400.000.000 |
|
NGC 4486 /
M87 |
Virgo |
50.000.000 |
56 |
3.000.000.000 |
|
NGC 4594 /
M104 |
Virgo |
30.000.000 |
47 |
1.000.000.000 |
|
NGC 3377 |
Leo |
32.000.000 |
5.2 |
100.000.000 |
|
NGC 3379 |
Leo |
32.000.000 |
13 |
50.000.000 |
|
NGC 4486b |
Virgo |
50.000.000 |
0.82 |
500.000.000 |
Observação:
Luminosidade: Foi considerado unidades de bilhões de vezes
a luminosidade solar.
As estatísticas apontam
para um número de 100 milhões de buracos negros só na nossa Galáxia. O mais
próximo de nós está a cerca de 15 anos luz de distância. Nada indica que
o número de buracos negros em outras galáxias como a nossa seja diferente.